Bem-vindo à Diocese de Goiás

O que você procura?

(62) 3371-1206
Fax: (62) 3371-2380

Maria guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração! (cf. Lc 2, 19)


Publicado em 01 Janeiro de 2024
Compartilhe:      

 

Goiás, janeiro de 2024.

Prezados amigos,

Prezadas amigas,

 

Neste início de ano novo civil, expresso meu desejo de caminharmos juntos na vivência dos valores evangélicos e, consequentemente, na busca de um mundo de justiça e de paz.  É um tempo de graça que nos é concedido pelo Senhor, ao qual queremos responder reforçando nossa fidelidade ao Seu projeto. A esperança celebrada no Tempo do Natal continua a nos alimentar, e a presença do Emanuel, Deus conosco, anima nossa fé e nosso desejo de testemunhá-lo a todos os povos.

A Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, que celebramos no dia 01 de janeiro, nos faz refletir sobre o encontro dos pastores com “Maria, José e o recém-nascido deitado na manjedoura” (Lc 2, 16). O anúncio do anjo é dirigido primeiramente aos humildes pastores, os quais não guardam para si a alegria do encontro e vão testemunhar a experiência divina que tiveram, deixando todos os que os ouviram maravilhados. Esta solenidade destaca a pessoa de Maria, a cheia de graça, que no seu sim generoso, tornou possível a realização do projeto de Deus: a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Por meio de Maria, o Filho de Deus veio morar conosco, armou sua tenda entre nós para dar sentido à nossa vida. Diante do grandioso mistério vivido, “Maria guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração” (cf. Lc 2,19). Da frágil criança deitada na manjedoura, Maria se tornará a perfeita discípula missionária (cf. DAp nn. 01, 364, 451). Como a Mãe de Deus, acolhamos a presença do Senhor entre nós, nas situações mais simples, especialmente nos “últimos”, e possamos anunciá-lo ao mundo sedento de paz e justiça.

Para esse primeiro dia do ano, o papa Francisco dirigiu seus votos de paz ao Povo de Deus, às nações, aos chefes de Estado e de Governo, aos representantes das diversas religiões e da sociedade, a todos os homens e mulheres de nosso tempo. Como de costume, o papa emite uma mensagem para a celebração do Dia Mundial da Paz e, nesta ocasião, reflete sobre a inteligência artificial e a paz. À luz das Sagradas Escrituras, a mensagem lembra que somos capacitados com inteligência, à imagem e semelhança do Criador (cf. Gn 1,26), para o desenvolvimento da vida e para tornar a terra habitação digna para a humanidade. A ciência e a tecnologia são frutos da inteligência humana e devem contribuir para melhor organizar a sociedade, para o aumento da liberdade e da comunhão fraterna. O papa reconhece que o progresso da ciência e da tecnologia trouxe solução para inúmeros males e sofrimentos que afligiam as pessoas. Sua atenção se volta para a inteligência artificial e como ela poderia ser utilizada beneficamente na agricultura, na instrução e na cultura, melhorando o nível de vida das nações e povos, para o crescimento da fraternidade humana e da amizade social. Por outro lado, ele interroga sobre os riscos do mau uso da inteligência artificial, com consequências a médio e longo prazo e o impacto sobre a vida dos indivíduos e da sociedade, sobre a estabilidade e a paz. Ele chega até mesmo a conjecturar que, se utilizada por pessoas malintencionadas, essa tecnologia pode constituir uma ameaça para a sobrevivência humana e um perigo para a casa comum. A mensagem reforça também que é necessário aplicar a ética desde a base da construção dessas ferramentas e que há um fosso instransponível entre esses sistemas e a pessoa humana, pois eles imitam ou reproduzem apenas algumas funções da inteligência humana. Por fim, o papa deseja que os progressos da inteligência artificial sirvam para “a causa da fraternidade humana e da paz”, (...) “para o desenvolvimento integral de todas as pessoas e de todos os povos”, (...) “para pôr fim às guerras e conflitos e para aliviar muitas formas de sofrimento que afligem a família humana”[1]. As guerras contrariam a mensagem do Príncipe da Paz e impõem derrota para a humanidade. Que essa forma de inteligência não torne o próprio coração humano algo artificial.

Perpassando o ano litúrgico, neste mês de janeiro celebraremos também a Solenidade da Epifania do Senhor (dia 06) e, em seguida, o Batismo do Senhor (dia 08). Nessas celebrações vivenciamos os mistérios da revelação divina e participamos da dinâmica da salvação que eles nos trazem. Inicia-se, então, o Tempo Comum, meditando sobre a vida pública de Jesus segundo o Evangelho de Marcos. Possamos organizar a caminhada pastoral de nossas comunidades, animados por essa dinâmica bíblico-litúrgica. Sejamos fortalecidos pelo Espírito Santo para mais um ano de evangelização, cheios de ânimo e esperança.

Elevemos nossas preces ao bom Deus pela paz mundial e colaboremos com Ele, promovendo e exigindo dos governantes atitudes concretas para a realização da paz! 

Recebam meu abraço fraterno e o desejo de que a esperança se transforme em realidade de vida digna e a alegria do Senhor seja a nossa força!

 

+Dom Jeová Elias Ferreira

Bispo Diocesano

 

[1] Francisco, Mensagem do Santo Padre Francisco para a Celebração do Dia Mundial da Paz. 1º de janeiro de 2024. Inteligência Artificial e Paz (08/12/2023).


Fonte: Diocese de Goiás