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05 de Outubro de 2017

Uma luz para a Igreja hoje

Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 04 de outubro de 2017 

 

Há alguns dias, acessando o site http://www.diocesedegoias.org.br/ - fonte do meu artigo “A 16ª Romaria da Terra e das Águas em Goiás” - chamou-me a atenção a Opção Fundamental da Diocese de Goiás. Certamente ela é fruto da longa caminhada de renovação que a Igreja de Goiás viveu depois do Concílio Vaticano II e de Medellín (a “Carta Magna” da Igreja da América Latina e Caribe), com o apoio de Dom Tomás Balduíno (de saudosa memória) e de Dom Eugênio Rixen.

No Plano de Pastoral, a Diocese de Goiás apresenta sua Opção Fundamental: “Obedientes ao Evangelho, nós, Igreja de Goiás, Povo de Deus, vivendo o Reino de Deus, optamos por ser uma grande rede de Comunidades Eclesiais de Base, que une fé e vida. Discípulas e discípulos de Jesus Cristo, queremos construir relações de solidariedade, justiça e comunhão, abertos à diversidade. Convocados pelo Batismo a sermos missionários e missionárias, renovamos, com todas as pessoas excluídas do campo e da cidade, a evangélica opção pelos pobres, lutando com elas pela urgente defesa do meio ambiente e pela vida em plenitude. A compaixão, a Palavra e a prática do Ressuscitado animarão nossa caminhada”.

Lendo o texto da Opção Fundamental, fiquei surpreso e feliz ao mesmo tempo. Surpreso, porque hoje é muito raro encontrar uma Igreja que - em seu Plano de Pastoral - tenha uma Opção Fundamental como essa (na década de 1970 e 1980, era bastante comum). Feliz, porque tive - mais uma vez - a possibilidade de constatar que a “Igreja da Caminhada” continua viva e muito viva (mesmo quando - pelas mais variadas razões - é impelida a ficar nas catacumbas). É a Igreja de Jesus de Nazaré e, como tal, nunca irá morrer!

A Opção Fundamentar da Diocese de Goiás - cujo texto foi muito bem elaborado - é uma síntese da visão de Igreja (Eclesiologia) do Vaticano II e de Medellín. Cada palavra tem um sentido. Faço somente alguns destaques.

“Obedientes ao Evangelho”: ser obedientes ao Evangelho - que é a Boa Notícia de Jesus de Nazaré - significa vive-Lo de maneira cada vez mais radical (e não ser legalistas como os Fariseus). Os e as que são chamados e chamadas a exercer o ministério ou serviço da coordenação (em qualquer nível) devem ser mais obedientes do que os outros e as outras.

“Nós, Igreja de Goiás, Povo de Deus”: a Igreja não são os padres e os bispos, os religiosos e as religiosas, mas o Povo de Deus, formado por todos os seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré (incluindo padres e bispos, religiosos e religiosas), na diversidade dos carismas e ministérios.

“Vivendo o Reino de Deus”: viver o Evangelho significa viver o Reino de Deus para que Ele cresça sempre mais na história do ser humano e do mundo.

“Optamos por ser uma grande rede de Comunidades Eclesiais de Base, que une fé e vida”: é a opção por uma Igreja de irmãos e irmãs, encarnada na vida do povo. Fé e vida tornam-se uma coisa só. A fé é um jeito de viver a vida em todas as suas dimensões e 24 horas por dia.

“Discípulas e discípulos de Jesus Cristo”: as discípulas e discípulos procuram sempre viver e construir relações de solidariedade, de justiça e de comunhão, no respeito à diversidade.

“Convocados pelo Batismo a sermos missionários e missionárias”: os missionários e missionárias fazem a opção pelos pobres e pessoas excluídas do campo e da cidade (e a renovam constantemente), na defesa do meio ambiente e da vida em plenitude.

“A compaixão, a Palavra e a prática do Ressuscitado” animam a nossa caminhada e - como costumo dizer parafraseando São João XXIII e o Papa Francisco - nos fazem ser “uma Igreja pobre, para os pobres, com os pobres e dos pobres”

Na Igreja Povo de Deus, é a partir da Opção Fundamental que se elabora a Organização Eclesial, com suas Prioridades Pastorais, em todos os níveis: comunitário, paroquial, regional e diocesano.

A Comunidade Eclesial de Base (CEB) é “o primeiro e fundamental núcleo eclesial” ou “a célula inicial da estrutura eclesial” (Medellín. XV, 10). A Paróquia é “um conjunto pastoral unificador das Comunidades de Base” (Ib., 13). Quanta estrada temos que percorrer ainda para chegarmos a entender e a viver isso!

As principais instâncias da Coordenação Pastoral, em todos os níveis, são: a Assembleia Eclesial. o Conselho Pastoral (incluindo também o Conselho Econômico) e a Equipe de Coordenação Executiva.

A Diocese de Goiás merece o nosso sincero reconhecimento de irmãos e irmãs. Sua Opção Fundamental é uma luz para a Igreja hoje: os seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré. Sua Opção Fundamental mostra-nos uma Igreja que quer voltar às fontes, se libertando das influências negativas do Imperialismo, do Feudalismo e do Capitalismo, que foi acumulando no decorrer da história. “Entre vocês - diz Jesus aos discípulos e discípulas - não deve ser assim: quem de vocês quer ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês, e quem de vocês quer ser o primeiro, deve tornar-se o servo de todos” (Mc 10, 43-44). Jesus “revoluciona” todos os critérios da convivência humana na sociedade e no mundo.

A Opção Fundamental da Diocese de Goiás renova a nossa esperança e nos compromete com a “Igreja da Caminhada”.

Enfim, soube que as Comunidades e todas as instâncias pastorais da Diocese de Goiás estão vivendo - em clima de comunhão e participação - o seu tempo de Assembleia, com questionários, orações, encontros, e Assembleias menores. Tudo isso é de fundamental importância para a missão e a vida da Igreja. Desejo-lhes, pois, que este tempo de Assembleia seja um momento forte do Espírito, um verdadeiro Pentecostes a serviço da vida das pessoas e de toda a criação nesta porção de chão do cerrado.  


Fonte: Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano




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